NOEMÁFAGOS

TRANSUNTO

Danilo de Athayde
DE NOEMÁFAGOS
Quem promete o mundo entrega uma bola.
Vêm mares lisos, sem um afogado
cordilheiras, arrepio no plástico,
e as fronteiras, em pontilhado,
confessando o desenho que são.
Vem torto de fábrica. O eixo
inclina no grau que, lá fora,
custa os invernos. Qualquer lâmpada
serve de sol. Com um dedo
se faz meia-noite em Java.
Um centímetro compra quatrocentos quilômetros.
Nesse câmbio, o que nos aconteceu
fica abaixo da menor moeda.
A rua onde envelheces é mais fina
que um fio deste verniz.
E a mão que o segura não consta do mapa,
larga demais para a legenda.
(Para constar, pedia um globo
onde coubesse inteira, e fora dele
outra mão, pedindo outro.)
Cansa antes do plástico.
Pousa-o, o peso
desce ao pé, do pé à mesa,
da mesa ao soalho, até o apoio
que não veio na caixa,
e tudo cai. Cai em volta
de uma lâmpada maior,
errando sempre o chão.
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