ERRATA
Danilo de Athayde
DE NOEMÁFAGOS
Onde se lê estrelas fixas,
leia-se estrelas
(quem se mexia era o adjetivo).
Onde se lê epiciclo, risque-se:
epiciclo. Riscada, a roda ainda roda.
Onde se lê flogisto, leia-se oxigênio,
e ponha de cabeça pra baixo o sentido de toda chama.
Mas onde se lê o sol se pôs, por favor, deixe estar.
Onde se lê em sete dias,
leia-se ainda.
Onde se lê no centro,
leia-se a bordo.
Onde se lê a voz do meu pai era um trovão,
leia-se: era um homem com medo, e eu pequeno.
Onde se lê para sempre,
leia-se até a maré virar.
Onde se lê céu, leia-se pra fora;
pra fora de quê, aguarde-se a errata seguinte.
Onde se lê Deus existe, e onde se lê Deus não existe,
risque-se o verbo:
Deus existe. Deus não existe.
Deixe-se o nome rodando,
pião que ninguém mais açoita.
Mas onde se lê eu, por favor, mantenha-se eu.
Sei da emenda. Sei que melhora o texto.
Leiam errado comigo mais um pouco.
Um dia ainda me risco.
Esta errata cancela as anteriores.
As próximas já se encontram no prelo.