NOEMÁFAGOS

AGOSTO

Danilo de Athayde
DE NOEMÁFAGOS
I
Deixamos os anéis à entrada
e lavamos dos braços o óleo.
É proibido tocar o fundo.
É proibido afundar.
O sol, de fevereiro a outubro,
passado o meio-dia,
entra em pé
e acende no ar a poeira
e desce aceso até o fundo.
Boio de bruços, de colete,
braços abertos.
Cinco andares abaixo,
pedra azul e troncos afogados,
minha sombra voando entre eles.
De mim até a sombra,
dizem, água.
O frio confirma
por um minuto.
Depois nem o frio.
O corpo acostuma.
II
(Na foto que levo embora
sai tudo: pedra azul, troncos azuis,
poeira acesa, a sombra.
A água, mesmo revelada,
não sai.)
← o poema baixar em PDF